Resumo
Some ao custo do produto tudo que ele carrega: frete de compra, embalagem, taxa de pagamento e a fatia das despesas fixas. Depois use a fórmula de margem, dividindo o custo total por 1 menos a margem desejada. Multiplicar por dois só funciona quando as despesas somam menos de 20%.
A conta mais repetida em grupo de lojista é multiplicar o custo por dois. Comprou por 40, vende por 80. Parece que sobrou 40, e não sobrou: saiu frete da compra, embalagem, taxa da maquininha e a parte do aluguel que aquele produto ajuda a pagar.
O custo real do produto
O custo de um produto não é o que está na nota do fornecedor. É esse valor mais o frete de compra rateado por peça, a embalagem que vai com ele, a taxa do meio de pagamento e a fatia das suas despesas fixas mensais. Só depois de somar tudo isso a precificação começa.
| Item | Exemplo | Onde some da conta |
|---|---|---|
| Custo do fornecedor | R$ 40,00 | Todo mundo conta |
| Frete de compra rateado | R$ 3,50 | Some, porque veio no lote |
| Embalagem e etiqueta | R$ 2,00 | Some, porque é "só a sacolinha" |
| Taxa de pagamento | ~4% do preço final | Some, porque cai depois |
| Despesa fixa rateada | R$ 6,00 | Some sempre |
Nesse exemplo, o produto que "custou 40" custa mais perto de 52 antes da taxa. Vender a 80 não deixa 40 de lucro; deixa por volta de 25, e ainda falta descontar imposto.
A fórmula da margem
Para chegar ao preço com margem definida, divida o custo total por 1 menos a margem desejada em decimal. Com custo de R$ 52 e margem de 45%, a conta é 52 dividido por 0,55, o que dá R$ 94,50. Multiplicar o custo pela margem, em vez de dividir, é o erro que produz preço abaixo do necessário.
Repare na diferença: multiplicar 52 por 1,45 dá R$ 75,40, quase vinte reais a menos que a conta correta. É por isso que tanta loja vende bem e não vê dinheiro no fim do mês.
Como ratear a despesa fixa
Some tudo que você paga por mês independentemente de vender: aluguel, internet, plano do celular, assinaturas, contador, energia. Divida esse total pela quantidade média de peças que você vende no mês. O resultado é quanto cada produto precisa carregar de despesa fixa.
- 1Some as despesas fixas do mês passado, sem esquecer as anuais divididas por doze.
- 2Conte quantas peças você vendeu naquele mês.
- 3Divida uma coisa pela outra. Esse é o rateio por peça.
- 4Refaça a conta a cada três meses, porque o volume muda e o rateio muda junto.
Quem vende pouco tem rateio alto, e é por isso que o preço de quem está começando precisa ser maior, não menor, do que o de loja estabelecida. Entrar no mercado com o preço mais barato da praça costuma ser a decisão que fecha a loja no primeiro semestre.
Quando o preço da concorrência importa
Ele é referência, não regra. Se a sua conta deu 94 e a loja da esquina vende a mesma peça por 70, existem três possibilidades: ela compra em volume maior, ela tem despesa menor, ou ela está no prejuízo sem saber. As duas primeiras você não resolve baixando preço.
O caminho é mexer no que sustenta o valor: foto melhor, entrega mais rápida, atendimento que responde na hora, embalagem que vale a foto do cliente. Preço é o único diferencial que qualquer concorrente copia no mesmo dia.
Revisar preço não é aumentar tudo
Passe a lista uma vez por trimestre e olhe caso a caso. Produto de giro alto e margem baixa pode continuar assim, porque paga despesa fixa com volume. O que precisa subir é o item de giro lento com margem apertada, que ocupa capital e não devolve nada.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre markup e margem?
Markup é quanto você multiplica em cima do custo; margem é quanto sobra do preço final. Um markup de 2 vezes equivale a 50% de margem bruta, e essa margem ainda vai pagar taxa, embalagem e despesa fixa. Confundir os dois é o erro de conta mais comum do varejo pequeno.
Qual margem é considerada saudável?
Depende do giro. Revenda de roupa costuma trabalhar entre 45% e 60% de margem bruta; alimento com validade curta pede mais, porque parte da produção vira perda. O número certo é o que cobre suas despesas fixas no volume que você realmente vende.
Devo cobrar mais caro no parcelado?
Você pode dar desconto no Pix em vez de acrescentar no cartão, o que dá no mesmo e soa melhor. O que não dá é ignorar a taxa da maquininha e do parcelamento: em dez vezes, ela come uma fatia grande da sua margem.
Como precificar produto artesanal que eu mesma faço?
Entre no custo com material, com a hora do seu trabalho e com a perda de produção. A hora de trabalho é o item que quase todo artesão deixa de fora, e é justamente ele que transforma o preço em salário.
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